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Poluição do ar em  grandes metrópoles.

 

Artigo de Marcia Hirota*, originalmente publicado no Blog do Planeta

 

Nesses dias de Copa do Mundo, todos nós estamos na torcida pela camisa verde e amarela e pelo bom jogo dos nossos atletas da seleção brasileira de futebol. Mesmo quem não é fanático pelo esporte se contagia com essa paixão.

Apesar do grande orgulho nacional, os brasileiros não sentem, aparentemente, a mesma comoção com a floresta ou a Mata Atlântica – o verde da nossa bandeira, tão característico de nosso país. Ou pelo menos não demonstram isso claramente. Os temas ambientais também não apareceram marcadamente nos protestos que se iniciaram no ano passado – apesar de estarem diretamente ligadas à qualidade de vida da população.

As maiores demandas que surgiram foram por melhorias nas áreas de educação, transporte público e saúde – que são realmente necessárias ao país. Mas questões importantes como a falta de saneamento, que ainda causa muitas doenças no Brasil, água em quantidade e qualidade para nosso consumo, ar mais limpo nas cidades, proteção das florestas e mais árvores e áreas verdes nos centros urbanos não estiveram no centro das manifestações.

Como viver sem água na torneira ou sobreviver com água que não se pode beber? Talvez seja possível morar numa cidade sem a sombra e a beleza das árvores, mas quem quer? Observar essa camada cinza de poluição como a da foto abaixo não é apenas desagradável. O inverno chegou e com ele o período da seca, agravando a poluição do ar que é bastante prejudicial à saúde: segundo o médico Paulo Saldiva, em São Paulo ela já mata mais que a Aids e a tuberculose. A redução da poluição do ar traria resultados bem concretos. Segundo Saldiva, se houvesse diminuição da poluição em 10% na capital paulista entre 2010 e 2020, 114 mil paulistanos não morreriam no período.

Se o povo não cobra ou valoriza essas questões e uma vida mais sustentável,  dificilmente os políticos priorizarão essa agenda em seus programas de governo e em suas ações quando eleitos.

Neste ano de eleições, se quisermos ter uma grande mudança positiva na qualidade de vida, precisamos mostrar que nos importamos e exigir isso dos candidatos. Devemos, colocar essas questões na agenda de debates.

Recentemente, a Rede de ONGs da Mata Atlântica e a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica apresentaram a Carta da Mata Atlântica 2014, que traz 10 ações fundamentais para reverter as degradações do bioma e promover sua proteção.

E traz também uma reflexão:

“A deterioração do bioma, causada por um modelo de desenvolvimento que privilegia grandes projetos públicos e privados, planejados e implementados sem os devidos cuidados socioambientais, gera problemas como a perda da biodiversidade e dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas, como a regulação da quantidade e da qualidade de água.

O resultado mais visível dessa situação hoje na Mata Atlântica é a ocupação indiscriminada de morros e áreas de mananciais. Com isso, a população passa a conviver com enchentes e desabamentos em épocas de fortes chuvas e falta de água em tempos de seca, entre muitos outros problemas. Um retrospecto recente das consequências disso vão desde perdas econômicas – em um território que corresponde a 70% do PIB brasileiro – e de qualidade de vida nas cidades, até perdas de vidas humanas.”

Essa realidade precisa mudar. Nós da SOS Mata Atlântica estamos juntos na torcida e queremos sim que o Brasil faça muito bonito na Copa. Mas desejamos mais ainda que todos os brasileiros e os nossos atuais e futuros governantes e representantes políticos lutem por um país melhor, um ambiente mais sadio, defendam o meio ambiente e lutem também pela Mata Atlântica – que é Patrimônio Nacional. Com a mesma paixão.

Um país com muito mais verde e amarelo para todos depende de cada um de nós!

*Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

 

 Na torcida pelo canarinho – e não só pela seleção.

 

Data: 07 / 07 / 2014.