Essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos a água atua mantendo nosso corpo hidratado, ajuda no transporte de substâncias, funciona como solvente, regula a nossa temperatura, participa de reações químicas, entre várias outras funções.

Apesar de habitarmos o Planeta água, o percentual dela disponível para o consumo humano é de  somente 0,77%  da água existente  em lagos, rios e reservatórios subterrâneos. Essa quantidade não está distribuída igualmente por todo o território, consequentemente, existem locais onde esse recurso é considerado bastante escasso e valioso. Em virtude dessa desigualdade de distribuição, em várias regiões ocorrem verdadeiros conflitos por água.

Nossa região, sempre bem servida pela disponibilidade de água de boa qualidade e em abundancia, mas sempre a tratou  de forma inadequada. Montamos nossa matriz energética com foco na hidroeletricidade. Usamos e abusamos dos nossos cursos d’água para nossas necessidades básicas e atividades produtivas. Em troca a devolvemos contaminada pelos resíduos gerados, imprópria para a manutenção da vida.

Destruímos nossas florestas. Ignoramos a lei florestal não mantendo o mínimo necessário de vegetação de topo de morro , matas ciliares, reserva legal e nascentes protegidas. Dessa forma o ciclo da  água que se renova com as chuvas é alterado pela não infiltração da mesma no solo provocada pela inexistência de vegetação florestal, por pastagens degradadas e compactadas. O lençol freático não é recarregado, nascentes secam e não abastecem os nossos cursos d’água e nossos reservatórios.

Alterações no regime de chuvas, como o que estamos presenciando causam impactos ampliados pela nossa imprevidência. Como resposta vemos campanhas de racionalização do uso, necessárias mas que não atingem o cerne do problema.

É necessário, urgentemente, que nossos produtores rurais que reclamam o titulo de “Produtores de Água” cumpram as exigências da Lei Florestal Brasileira e dessa maneira passem de verdade a “produzir água”, e recebam a justa remuneração da sociedade por esse relevante serviço ambiental. Que a água usada pela industria, agricultura e nas cidades retorne aos cursos d’água limpa, dentro dos padrões de qualidade estabelecidos. Que todos cuidemos deste recurso, raro, escasso, especial, um relicto.

Afinal estima-se que 20% da população mundial não tenha acesso à água limpa,  que cerca de 1400 crianças menores de cinco anos de idade morrem todos os dias em decorrência da falta de água potável, saneamento básico e higiene.

 

Relicto:  é um organismo que em eras passadas foi abundante em um território amplo e que agora encontra-se apenas em pequenas áreas deste território.

 

Água: rara, escassa, especial, um relicto.

Data: 20 / 03 / 2015.

Cerca de 20% da população mundial não tem acesso à água limpa

Ribeirão Ipanema  em Ipatinga - MG, quantidade e qualidade da água prejudicada.