Periodicamente a tragédia se repete: Barragens de  Contenção de Resíduos de Mineração se  rompem  causando morte e destruição. O rompimento das barragens de Fundão e de Santarém, em Mariana (MG), foi mais um capítulo na triste história que envolve incidentes que causaram mortes, destruição ambiental e deixam seqüelas.

Minas Gerais é o Estado com maior número de ocorrências. Nos últimos anos temos os seguintes registros:

· Setembro de 2014, o rompimento da barragem de uma mina em Itabirito. Três operários morreram e cinco ficaram feridos.

· Janeiro de 2007, a barragem com rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguases rompeu e inundou as cidades de Miraí e Muriaé com mais de 2 milhões de litros de lama de bauxita. Mais de 4.000 pessoas ficaram desalojadas e 1.200 casas foram atingidas.

· Março de 2006, um outro vazamento durou três dias. Naquela ocasião, os 400 milhões de litros de resíduos de tratamento de bauxita -- água e argila -- atingiram um córrego da região e chegaram ao Rio de Janeiro. 

· Março de 2003, outra barragem de rejeitos industriais em Cataguases se rompeu e despejou cerca de 1,4 bilhão de litros de lixívia negra, resíduo da produção de celulose, contaminaram o rio Paraíba do Sul e córregos próximos por 200 quilômetros, atingindo também o interior do Rio de Janeiro e deixando 600 mil pessoas sem água. Peixes e outros animais que viviam às margens dos rios morreram.

· Em 2001, cinco operários morreram após rompimento de parte de uma barragem de contenção de minério em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. A barragem de Macacos levou lama e resíduos de mineração, que encobriram dois quilômetros de uma estrada. O acidente também causou assoreamento, degradação de cursos hídricos e destruição de mata ciliar. 

· Em 1986, em Itabirito, sete pessoas morreram no rompimento da barragem de rejeitos da Mina de Fernandinho, do grupo Itaminas.

 

Apos  cada tragédia os proprietários e o governo prometem a adoção de medidas  de prevenção e controle para que a situação não se repita, mas as promessas ficam só no discurso. Estamos  cansados de discursos inócuos.

Aqui em Minas Gerias, após um desses acidentes foi criada  a obrigação das  empresas de cadastrar todas as barragens de rejeitos existentes, e periodicamente  contratar auditoria externa para produzir relatórios sobre sua estabilidade. Os relatórios são encaminhados aos órgãos  ambientais  e, via de regra, arquivados sem nenhuma analise sobre sua consistência. Conferir as informações in loco, nem pensar.

O Sistema Ambiental  Mineiro esta sucateado, não existem recursos humanos e financeiros para  que funcione de forma minimamente aceitável. Licenças  Ambientais, Outorgas e outras permissões são concedidas baseadas nos relatórios fornecidos pelos empreendedores. Não existe fiscalização antes  nem  depois das concessões,  tudo é cartorial, papel e mais papel.

Dentro desse  quadro o governo envia Assembléia Legislativa em regime  de urgência projeto de lei  que altera o sistema ambiental, desmontando a uma peça que funciona bem o COPAM. Dentro dessa perspectiva o futuro será sombrio para o meio ambiente no Estado de Minas que continuará relegado a segundo plano.

 

Mariana, a tragédia se repete

Data: 07 / 11 / 2015.

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