por Luciano Candisani

O muriqui é maior macaco das Américas e se relaciona sem brigas

Vida em comunidade

Os machos e fêmeas adultos do muriqui, também chamado de mono-carvoeiro, têm o mesmo tamanho – até 1,5 metro de comprimento. Eles jamais brigam ou são agressivos, e demonstrações de carinho entre indivíduos de qualquer sexo ou idade são corriqueiras. É comum observar vários animais em um mesmo galho, suspensos pela cauda em demorados abraços grupais, ou tomando água lado a lado. Até a reprodução – marcada, em outros primatas, por duras lutas entre os machos – transcorre ali em harmonia. A fêmea simplesmente escolhe o parceiro com quem deseja copular e os demais pretendentes aceitam a opção, sem briga. “Tal comportamento fez com que eles fossem apelidados de ‘macacos hippies’”, diz Eduardo Veado, diretor da Estação Biológica de Caratinga (MG).

Na copa das árvores

As adaptações para a vida arborícola – como os membros longos e a cauda preênsil – conferem muita agilidade aos muriquis em suas jornadas em busca de frutos e flores comestíveis nos bolsões de mata Atlântica, onde vivem. Eles estão entre os primatas de deslocamento mais rápido que se conhece e nem mesmo o espaço entre árvores distantes pode deter seu avanço. Para vencer esse obstáculo, os mono-carvoeiros lançam-se em saltos ousados ou usam o peso do corpo para envergar árvores mais finas, de modo que elas sirvam de transporte seguro até a copa mais próxima. Sem peso suficiente para envergar árvores, os filhotes contam com a ajuda dos pais, que esticam o corpo entre as árvores, formando uma ponte.

O parente do Sul

Os cerca de 400 mil muriquis que, acreditam os pesquisadores, ocupavam a mata Atlântica em 1500 foram drasticamente reduzidos pela caça e pela destruição de seu hábitat. Estima-se a população atual em 1,2 mil animais, divididos em duas subespécies com características ligeiramente distintas, das quais a cor da face dos adultos é a mais evidente. O muriqui-do-norte (Brachyteles aracnoides hipoxanthus), de cara rosada, visto nas páginas anteriores, habita sobretudo as matas de Minas Gerais e do Espírito Santo. Já o muriqui-do-sul (Brachyteles aracnoides aracnoides), de face preta, é mais visto no norte do Paraná, no Rio e em São Paulo – onde seu maior refúgio são as áreas preservadas do Parque Estadual Carlos Botelho, do Instituto Florestal-SP.

Pesquisa na floresta

Os muriquis deram sorte. Em 1947, época em que derrubar florestas para abrir plantações era regra entre agricultores, Feliciano Abdalla decidiu preservar 900 hectares de sua fazenda, a Montes Claros, na região de Caratinga (MG). Abdalla apostava na umidade extra gerada pela mata como fator positivo para seus cafezais. Não poderia prever, porém, que sua área se tornaria um dos mais valiosos remanescentes de floresta tropical do mundo. Em 1970, o pesquisador Célio Vale topou ali com um grupo de muriquis e comunicou ao primatólogo e conservacionista Russel Mittermeier. Este, depois, trouxe ao Brasil Karen Strier, da Universidade de Wisconsin, cujos 20 anos de estudos desvendaram a biologia dos muriquis e forneceram subsídios para a preservação.

A primatóloga americana também influenciou uma legião de jovens brasileiros. Muitos de seus alunos são hoje cientistas respeitados. Maurício Talebi, por exemplo, coordena há 12 anos as pesquisas sobre os muriquis-do-sul no Parque Estadual Carlos Botelho. Alexandre Bastos é veterinário do projeto.

Fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/

A jornada de paz e amor dos macacos hippies

Data: 11 / 04 / 2016.

Os filhotes contam com a ajuda dos pais, que usam o corpo formando uma ponte entre as arvores.

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