A tragédia provocada pelo rompimento da Barragem de Rejeitos da Samarco em Mariana causou impactos significativos à biodiversidade aquática do Rio Doce. Os Impactos continuam, seis meses apos o rompimento, pois a lama continua a vazar poluindo o rio. A mortandade de peixes foi visível, estima-se que houve extinção da vida no rio Doce, mas faltam estudos e pesquisas que avaliem e quantifiquem os impactos produzidos pela mineradora.

A esperança de recuperação da biodiversidade ou de parte dela recaiu sobre os afluentes do rio Doce. O acidente ocorreu durante a Piracema  época que algumas espécies sobem para as cabeceiras dos rios para reprodução. Rios como o Piranga, Piracicaba, Santo Antonio, Corrente, Suaçui, Manhuaçu, Caratinga, Guandu, Santa Maria do Doce,Pancas, São Jose e outros imuneros pequenos afluentes se transformaram em Santuários da Biodiversidade dando refugio a  espécies que serão responsáveis pelo futuro repovoamento do rio Doce.

No inicio do  ano o  Comitê de Bacia do Rio Piracicaba solicitou ao IEF, gestor da fauna no estado de Minas Gerais, a proibição da Pesca na Bacia do Rio  Piracicaba. Outras entidades como O Comitê de Bacia do Rio Doce, O Ministério Publico do Estado de Minas Gerais e a Associação dos Pescadores Amigos do Rio Doce também solicitaram a proibição da Pesca em toda Bacia.

Para analisar e discutir as propostas e construir conjuntamente, ouvindo todas as partes, uma portaria sobre a Proibição da Pesca o IEF vem realizando reuniões com os interessados em Governador Valadares. Já foram realizadas duas reuniões.

Os problemas abordados são muitos, não somente ambientais mas também sociais, pescadores profissionais e amadores querem continuar com suas atividades e com seu modo de vida, querem a garantia de direitos trabalhistas e previdenciários. Reivindicações justas que tem de ser consideradas e resolvidas pelo estado.

Mas enquanto se discutem alternativas e como deve ser a portaria do IEF, a pressão sobre as espécies de peixes remanescentes que procuraram abrigo e se encontram nos afluentes tem aumentado chegando a um nível insuportável e colocando em risco as espécies necessárias para o repovoamento e mesmo para evitar a extinção de algumas delas.

É urgente, que, como uma primeira providencia, a Proibição Total da Pesca na Bacia Hidrográfica do Rio Doce e de todos os seus afluentes, lagos, lagoas e reservatórios seja decretada pelo IEF. Posteriormente, com mais tempo e baseado em levantamentos, estudos científicos e demanda das partes interessadas essa Proibição poderia ou não ser flexibilizada.

Não podemos  e não temos tempo para protelar essa decisão. Acreditamos que o Rio Doce não morreu, mas precisa de ações urgentes e imediatas para sua reabilitação..

 

Proibição da Pesca na Bacia do Rio Doce

Data: 22 / 04 / 2016.

Os problemas abordados são muitos, não somente ambientais mas também sociais.

O IEF vem realizando reuniões com os interessados em Governador Valadares.