A tragédia provocada pelo rompimento da Barragem de Rejeitos da Samarco em Mariana causou impactos significativos à biodiversidade aquática do Rio Doce. Os Impactos continuam, um ano apos o rompimento, pois a lama continua a vazar poluindo o rio. A mortandade de peixes foi visível, estima-se que houve extinção da vida no rio Doce, mas faltam estudos e pesquisas que avaliem e quantifiquem os impactos produzidos pela mineradora.

A esperança de recuperação da biodiversidade ou de parte dela recaiu sobre os afluentes do rio Doce. O acidente ocorreu durante a Piracema  época que algumas espécies sobem para as cabeceiras dos rios para reprodução. Rios como o Piranga, Piracicaba, Santo Antonio, Corrente, Suaçui, Manhuaçu, Caratinga, Guandu, Santa Maria do Doce, Pancas, São Jose e outros inúmeros pequenos afluentes se transformaram em Santuários da Biodiversidade dando refugio a  espécies que serão responsáveis pelo futuro repovoamento do rio Doce.

No inicio do  ano o  Comitê de Bacia do Rio Piracicaba solicitou ao IEF, gestor da fauna no estado de Minas Gerais, a proibição da Pesca na Bacia do Rio  Piracicaba. Outras entidades como O Comitê de Bacia do Rio Doce, O Ministério Publico do Estado de Minas Gerais e a Associação dos Pescadores Amigos do Rio Doce também solicitaram a proibição da Pesca em toda Bacia.

A resposta do IEF proibindo a Pesca na Bacia veio agora, quase um ano depois, conforme informa o site do órgão ambiental em artigo que reproduzimos a seguir :

“ A pesca na parte mineira da bacia do Rio Doce está proibida a partir do dia 01 de novembro de 2016. Será permitida somente a pesca científica, desde que devidamente autorizada. Já a pesca amadora está permitida, mas somente na modalidade de pesque e solte.

A medida está definida na Portaria do Instituto Estadual de Florestas (IEF) nº 78, publicada no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais do dia 01 de novembro de 2016. O objetivo é permitir a recuperação do rio e da ictiofauna da bacia do rio Doce após o rompimento da Barragem do Fundão da mineradora Samarco, em Mariana, ocorrida em 05 de novembro de 2016.

A portaria deverá ser revista, à medida que novos estudos técnicos e científicos comprovem a recuperação populacional das espécies do rio Doce. “A manutenção da proibição dependerá de subsídios técnicos que contribuam para melhor compreensão de aspectos da fauna aquática”, explica a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Sônia Aparecida Cordebelle de Almeida.

Sônia Cordebelle explica que a proibição é válida para a calha principal do rio Doce e seus afluentes. “A medida é necessária para permitir a recomposição da toda a comunidade aquática, da cadeia alimentar das espécies encontradas na bacia, incluindo peixes ameaçados de extinção e endêmicos”, afirma.
A decisão de proibir a pesca também levou em consideração prevenir possíveis riscos à saúde humana em função da sanidade do pescado “Os impactos sobre a bacia do rio Doce ainda não foram determinados e serão necessários estudos e avaliações para determinar as medidas mais corretas para recuperação da região”, explica Sônia Cordebelle
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“Na ausência ou insuficiência de dados técnicos e científicos, é aplicado o princípio de precaução, por isso a decisão proibir completamente a pesca”, observa Sônia Cordebelle. Ela afirma ainda que a decisão foi tomada após ampla discussão com as comunidades que sobrevivem do rio, especialmente os pescadores. “Foram realizadas duas audiências públicas que tiveram a participação dos segmentos que tem o rio Doce como meio de sobrevivência”, destaca.

O início da proibição da pesca no rio Doce coincide com o início da piracema nos rios e das restrições à pesca nas outras bacias de Minas Gerais. “As Portarias do IEF que regulamentam a pesca no período da Piracema são utilizadas desde 2011 e são válidas no período de 1º de Novembro a 28 de fevereiro no ano seguinte”, explica Sônica Cordebelle”

Proibida a pesca na porção mineira da bacia do rio Doce

Data: 04 / 11 / 2016.

Tentativas da População em salvar espécies de peixes na foz do Rio Doce.

Mortandade de Peixes no Rio Doce em Naque/MG.