BOM JESUS DO GALHO - A proximidade do período chuvoso reacendeu a esperança dos moradores do distrito de Revés do Belém, no município de Bom Jesus do Galho, de ver de volta a água no ribeirão do Boi. Há aproximadamente quatro meses a água secou por completo no principal curso d’água que abastecia o distrito. Moradores mais antigos da região afirmam que nunca viram seca tão intensa. 

É sob a ponte da MG-759, que liga Pingo D’Água à BR-458, que se pode ter ideia da gravidade do problema. O local onde por muito anos desceu o ribeirão, em direção à foz no rio Doce, a uma profundidade média de um metro de água, agora está apenas com areia e pedras. 

Morador de Revés do Belém, Felício Genuíno Azevedo explica que conhece o ribeirão do Boi há 35 anos e nunca soube de outra seca nesta proporção. Para Felício, a extinção do manancial é uma calamidade, com grande culpa da ação predatória do homem e com implicações maiores do que parece. 

“Prejudicou o abastecimento do distrito, pois vinha de lá a água que abastecia nossas casas, mas também houve impactos na natureza, na fauna e na flora. Antes de ser protegido como área de amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce, era permitida a pesca naquele trecho do ribeirão, sempre muito rico em peixes. Quando um curso d’água seca, toda uma rede de vida natural acaba”, pontuou. 

O sargento Arimatéia Souza Menezes, do 2º Grupamento da Polícia Militar de Meio Ambiente, informou ao Diário do Aço que, na prática, a seca do ribeirão do Boi começou em 2015. Naquele ano a escassez de chuva gerou queda acentuada no volume de água. Este ano, com a sequência do histórico de chuva cada vez menos intensa, o curso d’água secou de vez.

O policial ambiental afirma, entretanto, que por si só o ribeirão dificilmente secaria. A seca total, que é percebida a partir da foz do córrego do Indaiá, no território vargem alegrense, é atribuída a vários fatores. O principal deles é a captação de água para a agropecuária em toda a bacia do ribeirão do Boi, que nasce no território de Caratinga, mas percorre a maior parte de seu curso dentro do município de Vargem Alegre, onde estão localizadas plantações de milho, quiabo, jiló e outras hortaliças, além de intensa atividade de pecuária de leite e de corte, todas, demandantes de grande quantidade de água. 

Arimatéia relata que além da parte mais visível da seca no ribeirão do Boi, vários afluentes que abasteciam o manancial também secaram e não são vistos porque ficam em extensas áreas de propriedades rurais. Igualmente, grande parte das lagoas naturais, abundantes na região, cujas vazantes abasteciam os canais que escoavam para o Boi também tiveram redução no volume de água e deixaram de verter para os córregos. Outro fator é que, ao longo dos anos anteriores, reduziu-se a cobertura vegetal em toda a bacia hidrográfica do Boi. “Portanto, os fatores que levaram esse importante curso d’água a deixar de existir são variados, mas todos ligados à intervenção do homem”, enfatizou Arimatéia.

Em relação aos usuários da água na bacia do ribeirão, o policial ambiental informou que foi feito um trabalho com outros órgãos do Estado e, todos os usuários foram notificados. “Identificamos as propriedades que faziam captação da água naquela bacia hidrográfica e efetuamos a autuação”, esclareceu. 
“Os antigos eram muito sábios, quando já previam que a água seria causa de conflitos no futuro. Não podíamos imaginar que essa realidade estava tão próxima. Ver um curso d’água desse porte secar é assustador”, concluiu. 

Desabastecimento

Por causa da seca do ribeirão do Boi, moradores de Revés do Belém enfrentam racionamento no abastecimento de água desde 2015. Como a seca prolongou-se, a Copasa, concessionária do serviço de abastecimento, que usava o manancial para o abastecimento de Revés do Belém, passou a captar água, de forma alternativa, em um poço profundo perfurado recentemente. “A companhia está adotando o rodízio no abastecimento como medida emergencial. Um novo poço profundo será perfurado e equipado para reforçar o abastecimento na localidade”, informa a Copasa.

Fonte: Diário do Aço – Repórter Alex Ferreira

 

Ribeirão do Boi está sem água desde maio

Data: 25 / 09 / 2016.

Há aproximadamente quatro meses a água secou por completo no Ribeirão do Boi

A irrigação de plantações de milho, quiabo, jiló e outras hortaliças contribui para a escassez hídrica.