A questão do desenvolvimento sustentável veio à tona com o crescimento econômico da região do Vale do Aço e a comunidade busca o desenvolvimento social e com o equilíbrio ambiental. A criação de Unidades de Conservação Municipais vem de encontro a esse pensamento, onde se procura justamente proteger os recursos naturais, tornando mais harmônica a relação do ser humano com a natureza. Neste sentido a Lei Municipal nº 1.535, de 26 de agosto de 1997 criou a APA Ipanema, que abrange toda a área rural do município e as margens do Ribeirão Ipanema, principal curso d’água que drena o município de Ipatinga. Fazem parte da APA Ipanema as seguintes comunidades: Ipaneminha, Ipanemão, Córrego dos Lúcios, Tribuna, Taúbas, Pedra Branca, Barra Alegre, Chácara Oliveira e Chácara Madalena.

Mesmo sendo uma região rica em recursos hídricos e de belas paisagens, a área da APA Ipanema, juntamente com o ribeirão Ipanema, seu principal curso d’água que é responsável por 90% da drenagem do município de Ipatinga, necessita urgentemente de revitalização. Esta reabilitação deveria ser ordenada por um Plano de Manejo atualizado e de  um  Zoneamento Econômico e  Ecológico, elaborado com bases cientificas, ouvindo a população local. Construído de forma participativa,  baseado em um diagnóstico socioambiental, no qual as informações técnicas  complementadas e validadas pelo Conselho da APA produzissem um Plano onde os principais desafios e as possíveis soluções estariam organizadas na forma de programas de gestão, aprovados pelo Conselho Gestor e institucionalizados através de decreto municipal com o objetivo de orientar a gestão da APA. O Plano funcionara como uma carta de navegação rumo ao futuro, fundamentado no conhecimento do território e nos vetores de pressão que o afetam, e também um documento de referência para pesquisadores, órgãos públicos, organizações do terceiro setor e para todos os interessados em desenvolver projetos e estudos na APA. 

Recursos para isso existem no Fundo Municipal de Meio Ambiente, só faltava aplicá-los corretamente. Mas a Gestão eficiente e responsável do  Meio Ambiente no Município de Ipatinga não ocorreu. O tempo passou e o que era fundamental ser  executado para  a  consolidação da APA Ipanema foi esquecido e ignorado.

A  existência da APA Ipanema, trazia  como  contrapartida e benefícios ao município, uma parcela significativa do ICMS Ecológico, que anualmente era restituído à Prefeitura Municipal. A falta de gestão da APA Ipanema ignorando ações que deviam ser executadas levou o Governo Estadual cancelar  o Cadastramento da APA no Cadastro  Estadual de Unidades de Conservação da Natureza e outras Áreas Protegidas e como  conseqüência não virão mais os recursos do ICMS Ecológico. Perdem o Município, a População e o Meio Ambiente.

Já se passaram 19 anos desde a criação da APA Ipanema. Muitas ações são necessárias para  a sua consolidação. A alegação que faltam recursos públicos para serem investidos na Unidade de Conservação não se justifica, por isso não é admissível que as providencias básicas necessárias  a sua consolidação  não tenham sido tomadas e que ninguém na administração pública dos vários prefeitos que gerenciaram a cidade neste longo período não tenham cumprido suas atribuições funcionais.

Até quando as questões ambientais em Ipatinga serão relegadas ao terceiro plano?

 

APA Ipanema – 19  anos de descaso.

Data: 16 / 10 / 2016.

Igrejinha de São Vicente - Ipaneminha, Ipatinga MG

Mapa hidrológico APA Ipanema