Em dezembro de 1991 foi criada a Fundação Relictos de Apoio ao Parque Estadual do Rio Doce e demais bens naturais da região. E uma das primeiras iniciativas dos seus pioneiros foi o plantio em frente a sua sede de um ipê-rosa, já que era o único local que não possuía uma árvore. A maioria dos estabelecimentos vizinhos possuía oitis que lhes proporcionavam sombra e frescor amenizando o clima do local.  Com o tempo, os oitis foram desaparecendo e o espaço se tornando árido, mas o ipê-rosa timidamente continuou crescendo, até se tornar também, uma fonte de frescor e sombra para as pessoas e veículos.

Mas onde foram parar os oitis? Certamente desapareceram junto com aqueles estabelecimentos comerciais que se julgavam eternos: boates, restaurantes e outras lojas seguindo uma lógica equivocada que se instalou entre muitos moradores de Ipatinga - a de cortar árvores por qualquer motivo “por que atrapalhavam o seu negócio”...

Hoje o que vemos são muitas ruas com grotescos tocos em frente às casas e estabelecimentos comerciais e com raras árvores cujos moradores ainda possuem um mínimo de consciência ambiental. Também assim parte do movimento ambientalista brasileiro: desrespeitado, desmobilizado e ignorado por órgãos governamentais que puxam a fila das agressões em ações de total irresponsabilidade.

Mas a árvore da Fundação Relictos está lá: com a sua sombra cada vez mais procurada para aqueles que visitam o Centro Comercial do Bairro Bela Vista. Como aquele ipê-rosa, o ideal dos seus pioneiros permanece de pé.

“A Terra será o que são seus homens” provérbio asteca

 

Lélio Costa e Silva

A ÁRVORE E A FUNDAÇÃO RELICTOS

05/10/2017