Desde o inicio da colonização do território pelos portugueses a natureza e o meio ambiente são vistos como inimigos a serem combatidos. As primeiras ações de “desenvolvimento” consistiam na  derrubada mata nativa, nas queimadas e no afastamento da fauna, sem nenhum conhecimento do que a natureza poderia oferecer para suprir e colaborar com a sobrevivência das populações que apossavam do novo território.

As vilas e povoados eram implantados “de costas” para os cursos d’água, que eram vistos como transportadores de esgotos e impurezas e deveriam ser escondidos, em vez de serem admirados e cuidados como fonte de vida.

Estas tristes formas de encarar a natureza permanece nos dias atuais. No nosso dia a dia vemos diversos exemplos como as podas e a eliminação das arvores urbanas, nas queimadas de importantes áreas de preservação ambiental, na caça e pesca predatórias, na poluição do ar, das águas e do solo que estão nos alertando e clamando por mudanças. Elas precisam ser abandonadas.

Estas praticas não acontecem  somente nos grotões do país. A conciliação entre as duas necessidades de preservação e desenvolvimento é possível e urgente e dependerá da nossa mobilização. Citaremos dois exemplos de desrespeito e confrontação entre a preservação e o desenvolvimento que estão ocorrendo na capital do estado.

Mata no Jardim América

Uma área verde de aproximadamente 20 mil m² no Jardim América pode ser desmatada para dar lugar a um empreendimento imobiliário de grande porte. Situada entre a Av. Barão Homem de Melo e a Rua Gama Cerqueira, a área ameaçada, conhecida como Chácara do Jardim América, se configura como um grande bosque, encravado no coração do bairro, área fortemente urbanizada da capital, como demonstra a foto.

Uma construtora quer transformar o espaço em um grande empreendimento imobiliário. Será uma edificação mista, com duas torres, 23 pavimentos, pilotis, três níveis de garagem, 276 apartamentos e 552 vagas. Além disso, no andar térreo será instalada uma área comercial, com 23 lojas, 48 salas e 200 vagas de garagem descobertas.

Além do dano ambiental, a comunidade teme que o empreendimento prejudique o já problemático trânsito da região, em decorrência do crescimento da circulação de pessoas no local.

Indignados com a possível devastação do terreno, que abriga vegetação e animais variados, moradores se mobilizam para tentar impedir a degradação. Dois abaixo-assinados pedindo a preservação do espaço foram protocolados junto à Promotoria de Justiça e Defesa do Meio Ambiente e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Mata do Planalto

A Mata do Planalto, também conhecida como Mata do Maciel é composta por áreas particulares e pelo Parque do Bairro Planalto.

Levantamentos executados na área identificaram 17 nascentes que ajudam a compor o corpo d'água do Córrego Bacuraus, um afluente do Ribeirão Isidoro. Verificou se também a existência de 60 espécies de aves, cinco de anfíbios, três de répteis e ainda mamíferos como o mico-estrela, gambás e camundongos. A fauna que compõe o lugar é a mesma da Lagoa do Nado e Pampulha a alteração da Mata do Planalto pode influenciar nesses outros dois ecossistemas. O biólogo que executou o levantamento ressalta ainda a importância de preservar a vegetação local. "Dentro desse fragmento foram encontrados o jacarandá-caviúna, espécie em extinção em Minas Gerais e no Brasil, e vários ipês-amarelos" que são imunes ao corte por lei estadual.

Pretende-se construir no local um empreendimento residencial. Segundo a empresa, o projeto abrange 115 mil metros quadrados, onde serão construídos 8 prédios de 15 andares cada, num total de 752 unidades residenciais.

A proposta da construtora é reservar 70% desse terreno à criação de dois parques: um destinado aos moradores do condomínio e outro que será aberto ao público, sendo doado para a Prefeitura de Belo Horizonte.

Mas os impactos que a construção causará sobre a biodiversidade, micro clima e nascentes da região preocupam os moradores da região que entendem que além dos prejuízos ao ambiente, a implantação do empreendimento também é inviável dos pontos de vista social e urbanístico. A região não possui equipamentos urbanos e de mobilidade que suporte o aumento de população. 

A sugestão da comunidade é que a Mata seja preservada sem prejudicar o proprietário, permitindo que ele construa em outro lugar de Belo Horizonte por meio da Unidade de Transferência do Direito de Construir.

  

Preservação  Ambiental versus Desenvolvimento.

Data: 07 / 11 / 2014.

Chácara do Jardim América – Belo Horizonte MG.

Mata do Planalto – Belo Horizonte MG.