Todos os anos, como num circulo vicioso, assistimos a repetição de uma realidade insana que causa apreensão a todos: inicia o período de estiagem e de incêndios florestais. A falta de chuva e a baixa da umidade relativa do ar, aliadas à ocorrência de vento forte potencializam os fatores que contribuem para a ocorrência de incêndios florestais. Perdemos para o fogo importantes áreas de interesse para a preservação da biodiversidade. Os  esforços do poder publico e de empresas privadas para sua prevenção e combate não tem sido suficientes para minimizar o problema.

No Vale do Aço o Parque  Estadual do Rio Doce a maior reserva continua de  Mata Atlântica de Minas Gerais, primeira unidade de conservação criada pelo estado de Minas Gerais em 1944, reserva da biosfera da Mata Atlântica, Sítio Ramsar - área úmida de importância internacional reconhecido em 2010 esta em chamas desde a tarde de quinta feira 20 de setembro. O incêndio criminoso teve inicio em um  área próxima as comunidades da Alfaville/ Macuco no município de Timoteo, comunidades situadas dentro  da  área de amortecimento do Parque. O Controle  do fogo esta  difícil pela topografia do terreno e pela extensa linha de fogo.

Os incêndios florestais podem ter causas naturais mas, a maioria dos que ocorre atualmente, acontecem por causa da ação descuidada do homem, cada vez mais comuns. Infelizmente pode-se constatar que a maioria deles são ocasionados por:

· Pontas de cigarro atiradas em beiras de estrada,

· incêndios criminosos provocados intencionalmente,

· ataque proposital à floresta, feito por fazendeiros que pretendem impedir a regeneração natural de um trecho de mata em sua propriedade

· imprudência e descuido de caçadores, mateiros ou pescadores, com a propagação de pequenas fogueiras, feitas em acampamentos

· fagulhas provenientes de locomotivas ou de outras máquinas automotoras, consumidoras de carvão ou lenha; 

· perda de controle de queimadas, realizadas para "limpeza" de campos

· concentração de raios solares por pedaços de quartzo ou cacos de vidros em forma de lente. 

Outro fator muito importante no Vale do Aço é urbanização dos bairros limítrofes ao Parque na cidade de Timóteo-MG como o Limoeiro, Macuco, Alfaville, bem como os chacreamentos na região de Revés do Belém e Pingo d’água e Cava Grande que constituem constante ameaça pela presença muito próxima destas comunidades – basta lembrar que o último grande incêndio do Parque teve início nesta mesma região. Hoje nesses locais agravam-se os problemas sanitários e sociais: surtos de doenças endêmicas, drenagem e ocupação de córregos e invasões resultantes da densa ocupação humana incrustada no entorno do Parque Estadual do Rio Doce. Populações que nem sequer imaginam qual seja o significado de uma zona de amortecimento para uma reserva natural.

Precisamos fazer nossa parte adotando ações preventivas colaborando nas ações de combate ao fogo acionando o corpo de bombeiros e policia ambiental tão logo percebamos algum foco de incêndio.

Somente juntos, Sociedade, Poder Publico e Iniciativa privada, comprometidos com a sustentabilidade conseguiremos um meio ambiente saudável livre de incêndios florestais.

O PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE EM CHAMAS

21/09/2019