Todos os anos, para celebrar a criação do Parque Estadual do Rio Doce, maior reserva continua de mata atlântica de Minas Gerais, é realizada  a  Romaria Ecológica Diocesana do Parque Estadual do Rio Doce (PERD). A tradicional festa é marcada por cavalgada que parte das cidades de Dionísio, Marliéria e Timóteo, com um percurso de até 40 quilômetros até o parque.  Na reserva ambiental, os tropeiros se encontram para celebração da missa em homenagem ao bispo Dom Helvécio, fundador da Unidade de Conservação. A romaria relembra o ato de Dom  Helvécio que levava, a cavalo, a imagem da protetora do PERD, Nossa Senhora da Saúde, pela estrada de Marliéria até o parque. 

A Tradição teve origem com a pratica adotada pelos primeiros habitantes da região que após a temporada de chuvas desciam das áreas montanhosas para o Vale do Rio Doce para praticar  agricultura em torno das lagoas  da região. Nessa época  a malaria assolava a região causando inúmeras vitimas. Quando os agricultores desciam para o plantio, traziam consigo uma pequena imagem de Nossa Senhora da Saúde que era venerada em uma pequena capela de pau a pique. Essa pratica se consolidou com o tempo.

Nos anos 30, teve inicio a Romaria Ecológica realizada pelo bispo Dom Helvécio, que  juntamente com cavaleiros, realizava o evento de cunho religioso e ecológico incentivando a tradição e a preservação ambiental da região.  Esse evento foi suspenso na década de 50 por causa de um acidente. Em 1994, no aniversário de 50 anos do parque estadual, a tradição foi retomada e a Romaria Ecológica voltou a acontecer.

O Parque Estadual do Rio Doce

As primeiras iniciativas no sentido de preservar o Parque Estadual do Rio Doce aconteceram no início da década de 1930, pelas mãos do arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, conhecido como "bispo das matas virgens".  O Bispo de Mariana, preocupado com a grande exploração da floresta pelas empresas siderúrgicas, registrou no livro de tombos da arquidiocese de Mariana, a área do Parque com o objetivo de preservá-la.

O parque foi criado no dia 14 de julho de 1944, pelo estado de Minas Gerais, em função da presença do ecossistema Mata Atlântica e de sua rica biodiversidade, apresentando várias espécies ameaçadas de extinção. Podemos encontrar espécies da fauna como o macuco, o mono-carvoeiro e a onça-pintada e árvores como o jacarandá-da-baía e a canela sassafrás.

O Parque oferece uma infra-estrutura para atendimento ao turismo composta por vestiários, restaurante, anfiteatro, centro de informações, estacionamento, camping para 250 barracas (500 pessoas), alojamento para pesquisadores, laboratório, viveiro de mudas e posto da Polícia Ambiental.

É reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO possuindo a maior reserva genética de Mata Atlântica do Estado. Ele possui uma área de aproximadamente 36 mil hectares de mata atlântica contínua, intercalados por um conjunto de aproximadamente quarenta lagoas, sendo considerado o terceiro maior complexo lacustre do país. 

Romaria Ecológica Diocesana do Parque Estadual do Rio Doce

02/06/2017

Dom Helvécio levava, a cavalo, a imagem de Nossa Senhora da Saúde até o parque. 

A Romaria Ecológica realizada pelo bispo Dom Helvécio teve inicio nos anos 30.