PELOS SERES VIVOS, RAROS  ESCASSOS ESPECIAIS.

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Cabeceiras do Ribeirão Ipanema -  MG.

 

Com o crescimento econômico da região do Vale do Aço a questão do desenvolvimento sustentável veio à tona e a comunidade busca o desenvolvimento social e o equilíbrio ambiental. A criação de Unidades de Conservação Municipais vem de encontro a esse pensamento, onde se procura justamente proteger os recursos naturais, tornando mais harmônica a relação do ser humano com a natureza. Neste sentido a Lei Municipal nº 1.535, de 26 de agosto de 1997 criou a APA Ipanema, que abrange toda a área rural do município e as margens do Ribeirão Ipanema, principal curso d’água que drena o município de Ipatinga. Fazem parte da APA Ipanema as seguintes comunidades: Ipaneminha, Ipanemão, Córrego dos Lúcios, Tribuna, Taúbas, Pedra Branca, Barra Alegre, Chácara Oliveira e Chácara Madalena.

A criação da APA Ipanema não conseguiu frear a degradação Ambiental que continua a ocorrer nesta Unidade de Conservação Municipal. Três fatores se mostram fundamentais no desenvolvimento do processo de degradação da zona rural de Ipatinga, são eles, o solo jovem, o relevo acentuado e as ações antrópicas. Logicamente os três não agem isoladamente, mas formam um conjunto de fatores que, de forma acelerada, têm levado a grande transformação na paisagem dessa área agravada pela erosão provocada por pastejo intensivo que leva à erosão laminar e progride para erosão por sulco formando posteriormente grandes voçorocas

O desmatamento para fins de cultivo e pecuária, como ocorre em todo processo desordenado de ocupação e uso do solo, proporcionou o aparecimento de grandes focos erosivos, conduzindo rapidamente o material desagregado para o leito dos ribeirões. Esse fenômeno refletiu no centro urbano que recebeu e recebe toda a carga de material conduzido pelos cursos d’água, uma vez que a sede do município se encontra à jusante da bacia do ribeirão Ipanema.

Atualmente a APA Ipanema convive também com a monocultura do eucalipto, para abastecer uma fábrica de celulose da região. A presença de florestas constituídas de arvores exóticas quando manejadas de forma adequada, constitui fator de positivo para a conservação do solo e dos recursos hídricos.

O cultivo de  eucalipto apresenta um dos os mais baixos níveis de impactos ambientais, que outros tipos de agricultura . Estudos científicos indicam uma boa convivência dos animais silvestres com esta cultura, que fornece abrigo e propicia um caminho seguro entre as matas nativas preservadas.

O ciclo longo da cultura é também fundamental para os solos, que são pouco revolvidos e ficam protegidos pelas copas das árvores e por galhos e folhas em decomposição por longo período, possibilitando a infiltração de água e evitando formação de erosões.

Possibilitar a infiltração de água significa abastecer o lençol freático, mantendo a perenidade das nascentes. Na bacia do Ribeirão Ipanema, em Ipatinga, as propriedades com plantações de eucalipto, mantém nascentes com vazões regulares e perenes e com água de qualidade classificada como especial.

Numa região montanhosa como a da APA Ipanema, isso significa que pelo menos 40% das áreas com plantações de eucalipto são destinadas para conservação com matas nativas. mantendo  as áreas de reserva legal e de preservação permanente para atender a legislação ambiental.

Outra ação antrópica que tem levado ao grande carreamento de solo para os corpos d’água são as estrada rurais. Essas, além de serpentearem pelas encostas, ainda não receberam um sistema de drenagem adequado, o que tem levado à formação de grandes sulcos que todos os anos são preenchidos como novos solos, em uma tentativa inócua de solucionar o problema

Como já dito antes, mesmo não sendo uma região apropriada para a criação bovina de forma extensiva, o pastejo intensivo proporcionou condições à erosão laminar, sendo essa mais uma forma de carreamento de solo para o leito dos córregos

 Mesmo sendo uma região rica em recursos hídricos e de belas paisagens, a área da APA Ipanema, juntamente com o ribeirão Ipanema, seu principal curso d’água que é responsável por 90% da drenagem do município de Ipatinga, necessita urgentemente de revitalização. Esta reabilitação deve ser ordenada por um novo Plano de Manejo, elaborado com bases cientificas, ouvindo a população local. Deve ser construído de forma participativa,  baseado em um diagnóstico socioambiental, no qual as informações técnicas  complementadas e validadas pelo Conselho da APA produzam um Plano onde os principais desafios e as possíveis soluções serão organizadas na forma de programas de gestão. Deve ser aprovado pelo Conselho Gestor e institucionalizado através de decreto municipal com o objetivo de orientar a gestão da APA. Deve funcionar como uma carta de navegação rumo ao futuro, fundamentada no conhecimento do território e nos vetores de pressão que o afetam, e também um documento de referência para pesquisadores, órgãos públicos, organizações do terceiro setor e para todos os interessados em desenvolver projetos e estudos na APA. 

Recursos existem no Fundo Municipal de Meio Ambiente, faltam aplicá-los corretamente.

 

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Desafios para a APA Ipanema.

Data: 14 / 02 / 2014.