PELOS SERES VIVOS, RAROS  ESCASSOS ESPECIAIS.

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“Caverna dos Nadadores” - Gilf Kebir plateau, Egito.

Em Editorial “Água em estado crítico”, publicado na Folha de São Paulo, 09/03/2014 (http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/03/1422652-editorial-agua-em-estado-critico.shtml), destaco os seguinte trecho: “Como observa a própria Sabesp, responsável pelo abastecimento metropolitano, a região padece de escassez semelhante à de localidades desérticas. A água disponível equivale a menos de 15% do patamar que a ONU considera crítico. Sabe-se ao menos desde 2009 que dois anos de seca levariam a uma crise, cujas razões são conhecidas há décadas por especialistas.”.

            O Editorial da Folha foi preciso ao citar que os estudos do ciclo hidrológico e dos ciclos de uso da água, especialmente aqueles voltados para as águas doces superficiais continentais (águas correntes, lagos, reservatórios e áreas alagadas) aponta para uma crise na disponibilidade de água doce no Século XXI. O que está acontecendo não é nada mais do que o escrito pelo George Evelyn Hutchinson (1903 - 1991), e Professor de Ecologia Aquática Universidade de Yale: “Seres Humanos não reagem aos processos. Reagem aos fatos.”. Ele se referia, já na década de 1940, ao lento mas inexorável processo de degradação dos ecossistemas de água doce no mundo. As pessoas não reagem às pequenas mudanças sutis na qualidade e quantidade dos rios e lagos: uma espécie de peixe que se estingue por causa da poluição num dia; um lago ou uma represa remota que começa a ser tomada por algas em crescimento descontrolado devido aos fertilizantes agrícolas; a derrubada de uma floresta para criar “riqueza” através de sua transformação em pastagens e a erosão que advém no processo e destrói um córrego nos confins da Amazônia; nada disso é manchete de jornal ou faz a quase totalidade da população perder um segundo de sono. Uma espécie pode ser trocada por outra, não é mesmo? Há tantas. Uma represa pode ser fechada e pode-se barrar um rio mais limpo, pois, sempre há rios. Uma nascente que seca é um transtorno passageiro. Derruba-se outra floresta e leva-se os bois e vacas para lá. Apenas quando todos os peixes morrerem porque a água não mais suporta formas complexas de vida, quando todas as represas e lagos ficarem poluídos e não houver mais onde se barrar rios, e apenas quando não houver mais florestas para derrubar, pensa-se no problema.

            E que problema! Me lembro (e isso foi há muito, muito tempo) em uma de uma grande empresa, discutia-se os impactos de uma instalação sobre um pequeno curso d’água em um região semiárida. Eu chamei a atenção para manter o efluente abaixo de 40° C, para obedecer às então recentes Resoluções Conama. O colega que proferiu com tanta empáfia sua descrição da instalação disse que iria ver isso para não prejudicar os “peixinhos”. Risadas gerais. Acho que hoje não ririam mais. Mas, já é tarde. Não há mais água lá.

Não sei como São Paulo vai resolver sua crise, pois, mas a tendência é de seu agravamento. A quantidade de chuva que cai sobre os continentes é finita. Sua distribuição no espaço e tempo está em constante mutação. Os humanos sempre seguiram a chuva, tanto que a maior parte dos seres humanos vive a menos de 10 km de um manancial de água doce. E quando as chuvas diminuíam, as pessoas se mudavam. Hoje isso é impossível.

            Só para terminar, coloco abaixo as imagens gravadas em pedra por habitantes do Deserto do Saara há cerca de 7000 anos. Havia rios, lagos e brejos. Na “Caverna dos Nadadores” - Gilf Kebir plateau, Egito, há pinturas de pessoas nadando. Também havia uma abundante fauna. Hoje, Só areia e pedras. Tais mudanças são inexoráveis. Mas nós as estamos acelerando, com o combustível da ignorância e da ganância. (https://www.britishmuseum.org/research/research_projects/all_current_projects/african_rock_art_image_project/wadi_sura.aspx ).

 

Prof. Dr. Millôr Godoy Sabará,

 Engenheiro Florestal; Mestre em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre; Doutor em Ecologia e Recursos Naturais.

Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus de Frutal.

Currículo do Sistema de Currículos Lattes (Millôr Godoy Sabará) .

 

 

“Água em estado crítico”

Data: 15 / 03 / 2014.